Artigo: a principal função de um headhunter (Fonte: Carolina Marcondes)

Pesquisar no mercado quais os melhores profissionais para funções em
aberto por clientes é a principal função de um headhunter. Os “caçadores de
cabeça” são recrutadores especiais, que sabem onde encontrar os melhores
executivos; e como levá-los aos melhores cargos, os mais cobiçados e mais bem
remunerados. Avaliando a situação do cliente e as competências necessárias para
que um executivo ocupe o cargo planejado com perfeição, eles podem ser grandes
parceiros na busca de uma carreira promissora, transformando-se em um barômetro
do mercado, dizendo ao executivo qual o seu valor no mercado atual.

O headhunter ajuda a identificar e avaliar os pontos fortes e fracos do
executivo, suas prioridades e motivações. Isso permitirá que ele se concentre em
suas aspirações de carreira, um passo bastante difícil para ser dado sozinho. Com o
poder de conduzir nomes para o sucesso e traçando o futuro de muitas carreiras, o
headhunter deve pesquisar no mercado e encontrar alguém que realmente agregue
valor à empresa interessada. Essa área de trabalho sempre conduz o profissional a
um constante aperfeiçoamento, unindo seu conhecimento e intuição para entender a
filosofia da empresa e suas necessidades, encontrando no mercado o perfil
profissional exato para ela e acompanhar o desenvolvimento de ambos.

Existem cerca de cem empresas de recrutamento e seleção de executivos no
Brasil, responsáveis pelo faturamento do cerca de US$ 50 milhões anuais, segundo
uma pesquisa encomendada pela Câmara Americana de Comércio. Com 25 anos de
experiência no mercado brasileiro, a PMC Amrop é uma das mais tradicionais no
setor. Antônio Joaquim Motta Carvalho, um dos sócios-fundadores da empresa,
explica que um headhunter deve ser generalista, capaz de trabalhar para todos os
setores do mercado, para empresas de qualquer ramo de atuação. “Cada novo
projeto é um desafio, este desafio deve ser superado e o problema, solucionado”,
afirma o headhunter.

Certamente, a profissão de headhunter não é uma das mais queridas do
mercado. Esses profissionais não têm nas mãos a maioria das vagas do mercado,
mas com certeza têm as melhores e, conseqüentemente, as mais cobiçadas; mas
não são os donos da vaga. São eles que decidem se o executivo se encaixa no perfil
desejado, indicando os melhores candidatos, mas a decisão final é da diretoria da
empresa. Não ser selecionado por um headhunter é, para alguns, quase uma ofensa
pessoal. Eles não possuem o costume de olhar currículos, e dão extrema
preferência ao executivo que esteja em plena atividade profissional, ou seja, que
esteja trabalhando. “As empresas que nos contratam dão preferência àquele
executivo que esteja em destaque, em ascensão no mercado. Isso quer dizer que o
que estiver trabalhando sempre será mais valorizado”, explica Motta Carvalho. “Não
é preconceito, apenas buscamos o que a empresa contratante deseja, e uma
minoria aceita profissionais que, por qualquer motivo, estejam fora do mercado de
trabalho”, completa.

“Sempre devemos apresentar um diferencial para o cliente”, afirma Ruy Philip,
diretor-sócio da Transearch Brasil. Para ele, um headhunter deve ser uma pessoa
resistente a frustrações, “pois muitas vezes ele não consegue cumprir seu papel,
com a desistência do candidato. Isso acontece com certa freqüência, e o headhunter
deve estar preparado para sempre começar tudo de novo’, afirma Ruy.

A Korn & Ferry é uma das maiores empresas de headhunting do mundo e tem
como clientes principalmente companhias multinacionais. O presidente da empresa
para o Mercosul, Robert Wong, explica que o mundo dos negócios é um jogo, e
quem tiver os melhores talentos vence essa guerra. Daí a importância do
headhunter, que encontra esses talentos e os leva para essas empresas ávidas por
novas aptidões. “O maior patrimônio das empresas são as pessoas”, afirma Wong.
Para ele, o feeling é essencial. “Um bom headhunter deve ter sensibilidade para
captar as melhores capacidades do mercado”, diz.

Wong explica também que, com a globalização, tudo ficou mais fácil. “Não é
mais necessário limitar-se a uma única região, podemos buscar candidatos no
mundo inteiro”, explica. O presidente da Korn & Ferry conta também que, nesses
casos, a empresa, junto com o cliente, fornece um acompanhamento ao executivo,
tornando mais fácil a adaptação ao novo país e o novo ambiente de trabalho.

A Evolução
O cargo de headhunter começou a se destacar no País após a onda de
grandes investimentos no Brasil. Também com as privatizações na área de
telecomunicações (com as “espelhos” e as empresas de Banda B), energia e com a
invasão das “dotcoms”, a necessidade por um profissional que seja capaz de reter
os melhores talentos tornou-se fundamental. Não importa se esse profissional já
esteja em outra empresa, o headhunter deve convencer a pessoa a disputar uma
outra – e talvez mais valorizada – vaga no mercado. O crescimento da economia
brasileira e do PIB também influenciou a procura por pessoas que possam
administrar esse crescimento.

“Estamos vivendo em um mundo mais competitivo, e isso faz com que os
talentos sejam realmente “caçados” pelo mercado. Isso aumenta tremendamente a
procura por profissionais especializados”, explica Ruy Philip.

Habilidades Requeridas
Um bom headhunter deve, primeiramente, gostar de lidar com pessoas. Uma
formação básica na área de humanas pode ser um bom começo para quem
pretende seguir essa carreira. Um headhunter deve ter sensibilidade para entender
as necessidades do seu cliente e conhecer algumas questões empresarias, como
cargos, salários e planos de carreira. Além disso, ele deve conhecer muito bem a
empresa que está contratando seus serviços para poder indicar aos seus clientes os
melhores profissionais que possam ocupar o cargo. Conhecer pessoas, manter
contatos, ter discernimento, estar sempre atualizado sobre tudo o que acontece em
outros países e culturas também é importante para qualquer pessoa que deseja ser
um especialista em recrutamento e seleção de executivos.

Credibilidade e uma visão global também ajudam qualquer candidato a um
cargo de headhunter. “Não trabalhamos com uma ciência exata, por isso a
sensibilidade é tão fundamental para quem deseja seguir essa carreira”, afirma
Robert Wong.

Prós
Atingir o seu objetivo, fazendo com que a empresa contrate o melhor
profissional do mercado pode fazer com que o nome da empresa e do próprio
headhunter fique em destaque no meio empresarial. O segredo do sucesso de um
headhunter é cuidar de cada caso como se ele fosse o único.

“Trabalhar como headhunter nos permite criar uma ampla rede de
relacionamentos e faz com que conheçamos diversas culturas e opiniões”,
exemplifica Ruy Philip. O prazer de sempre estar lidando com pessoas é uma
unanimidade entre os headhunters. “Estamos sempre aprendendo com as pessoas”,
conta Wong.

Contras
Os candidatos a um determinado cargo reclamam da falta de tempo
disponível de um headhunter, alguns querem que eles estejam disponíveis para
solucionar dúvidas em relação à carreira 24 horas por dia. Como, às vezes, isso é
algo praticamente impossível, muitas pessoas reclamam do “descaso” desse
profissional. “E se o executivo não for selecionado para o cargo, ele tem a tendência
de culpar o próprio headhunter, e não a empresa que está procurando por um”,
afirma Motta Carvalho.

Ruy Philip afirma que, em virtude da grande competitividade atual entre
pessoas, empresas, segmentos e países, há uma luta incessante pela conquista do
mercado. “Temos sempre que buscar um diferencial” Robert Wong diz que “devido à
falta de ética de alguns headhunters, as pessoas acabam generalizando a classe e
pensam que todos agirão com descaso e irresponsabilidade. Aqui na Korn & Ferry
nós treinamos todos os headhunters para lidarem com essas situações e evitarem
que ocorra algum descontentamento tanto da parte dos clientes quanto dos
executivos, que são nossa matéria-prima”.

Remuneração Anual
As grandes empresas do setor cobram do seu cliente cerca de um terço do
valor do salário anual do executivo contratado, incluídos os salários mensais e bônus
previstos. Ou seja, por cada trabalho, os “caçadores” podem levar até US$ 100.000.

E ainda, caso haja envolvido um valor maior para a contratação do executivo,
o headhunter pode também levar um terço da diferença. Por isso, não há um valor
específico relacionado à remuneração de um headhunter, ele varia muito de acordo
com a empresa que contrata e o executivo que deverá ocupar essa função.

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